domingo, 31 de outubro de 2010

Capital Intelectual

Estar orientado para o cliente
Para evitar os problemas que estamos verificando nas organizações de hoje, temos que estar atentos e avaliar nosso capital intelectual.
Resumindo, podemos chamar de capital intelectual a soma das competências de uma empresa (ou seja a soma das competências dos empregados de uma empresa). Existem três grandes categorias de capacidades, pois toda tarefa, processo ou negócio se baseia em uma das habilidades abaixo (ou capacidades ou ainda competências: conteúdo ou contingente?).
Temos que nos certificar de que temos a propriedade e posse de todo o conhecimento necessário para atender nosso cliente (é o que chamamos de "orientação para o cliente").
Habilidades chave:
  1. Habilidades que não são específicas de um negócio, podem ser obtidas facilmente no mercado ou na própria empresa. Exemplo: habilidade de digitação, de receber bem, etc.
  2. Há capacidades que são raras, mas que não são específicas de uma empresa e são mais valiosas para uma do que para outra empresa. Uma empresa de sistemas precisa mais de um alto especialista em IT do que uma empresa de alimentos.
  3. Competências “chave”: são as competências específicas com as quais uma empresa  constrói seu negócio e atende seus clientes.
De acordo com o domínio ou não destas habilidades as pessoas se distribuem pelos seguintes grupos:
  1. difíceis de substituir e tem alto valor agregado (capital intelectual)
  2. difíceis de substituir mesmo agregando pouco valor ao CI
  3. fáceis de substituir apesar de agregar muito valor à empresa
Este último grupo só perde para os empregados que exercem funções fáceis de substituir e que representam pouco valor para o CI da empresa (mão de obra semiespecializada). Estas duas faixas correm o risco de – a qualquer momento  -  de serem terceirizadas ou eliminadas.
O sucesso na carreira é determinado pelas competências e "conjuntos de habilidades", ou seja, toda a gama de ativos intelectuais e comportamentais, particularmente aqueles que permitem os relacionamentos dentro da organização e são canalizados para os clientes.
O profissional só terá certeza de sua importância para a empresa quando esta definir claramente quais são as competências "chave" e o empregado, executivo ou não, tiver sua formação dirigida para elas.  Cuidado com a empresa que se descuida da formação de quadros e do desenvolvimento das competências que interessam diretamente aos seus clientes.
Quem define as competências ?
A empresa é quem determina as competências que necessita para atender seus processos e seus clientes. Os consultores auxiliam, com técnicas específicas, a empresa identificar e listar as competências.
  • A Administração por Processos (berço das Competências e que veio substituir a APO- Administração por Objetivos) requer a estruturação e acondicionamento das competências, que realizam-se através da reciclagem contínua e utilização criativa do conhecimento e experiência compartilhados
  • é preciso assegurar a manutenção dos conhecimentos “em casa”. Quando um funcionário deixa a empresa, na saída de funcionários em geral, temos que ter a descrição dos processos, as competências necessárias e a maneira de transferir o conhecimento para novos funcionários.
  • A chave consiste em chegar a um compartilhamento mais rápido do conhecimento e o crescimento sistemático coletivo (só jogando dentro de um mesmo sistema, um time consegue ser campeão com vários técnicos diferentes e trocando jogadores aparentemente imprescindíveis).
medir as competências
As entrevistas para seleção por competência são instrumentos comuns e são utilizadas à medida em que a empresa define as competências a serem buscadas. Hoje elas são dispostas de maneira distinta, pois organizações mudaram e as competências técnicas e as humanas, bem como a ambição pessoal são aplicadas de forma diferente.
Nas competências comportamentais há testes modernos, que todavia não são tão confiáveis como alguns testes tradicionais quando aplicados de maneira aprofundada por profissionais altamente especializados. Há profissionais que são especializados em apenas um teste. A avaliação por testes psicotécnicos feitos em grupo ou aqueles feitos em série podem indicar tendências, mas não têm a mesma validade. Em nossa opinião uma empresa de hunting não deve fazer testes psicotécnicos: há uma tendência para o conflito de interesses.
Competências Comportamentais mais comuns:
  • A - plasticidade mental
  • B - curiosidade de espírito
  • C - capacidade de identificar e resolver problemas
  • D - criatividade e inovação
  • E - capacidade de trabalhar em grupos (habilidade de relacionamento)
  • F - habilidade de liderança
  • G - resistência a tensões/pressões  (De Landsheere)
Em uma seleção por competências, qual o peso da formação acadêmica e da experiência profissional do candidato? Ou outras?
A seleção por competências tende a ser mais completa e dinâmica, olhando para a totalidade dos competências técnicas, comportamentais, formação e conhecimentos, experiência e interesses/motivação dos profissionais; por outro lado é mais moderna pois tenta avaliar de maneira integrada a relação profissional x empresa x cliente. Acredito que é mais difícil encontrar um grupo de profissionais que reunam todos os requisitos atuais.
O profissional precisa ter as competências adequadas para cada cargo e empresa. Há competências “proprietárias”, necessárias e de alto valor agregado em um profissional, mas um profissional jovem pode contratado para receber treinamento em competências técnicas e organizacionais. Aqui, todavia, não abrimos mão de algumas competências ou requisitos: as comportamentais, uma excelente base escolar e uma forte motivação para a carreira.
Aqui só se abre mão de sua experiência.
Há mais “prós do que contras” nesse processo, pois tende a ser mais completo, pois como disse acima há uma integração maior do profissional na empresa, pois os requisitos estão claramente colocados e as competências devidamente estruturadas conforme as necessidades dos clientes da empresa.
A -  Há três categorias de trabalhadores:
  • produção de rotina (40%)
  • serviços pessoais   (40%)
  • analistas - 20%
Ou ainda
  • capacidade intelectual
  • destreza/ habilidade
  • orientado para o cliente
  • orientado para resultados (focado)
Os profissionais com maior capacidade intelectual (com facilidade para assimilar a nova TI) tiveram mais chances e este fato pode motivar uma grande desigualdade salarial.
B - O trabalho dos gerentes
  • Planejar
  • Organizar
  • Executar
  • Medir (controle / avaliação)
Os profissionais são avaliados pelos resultados e não pelas suas tarefas (no que é ajudado pela expertise, ou seja, conhecimento especializado).
O aumento constante de profissionais especializados (com domínio de novas tecnologias), gera o desmembramento da expertise e a necessidade de círculos (alianças) de ocupações e, por conseqüência. É o fim das cadeias de comando (pirâmides organizacionais) quando o chefe da cadeia não compreende o trabalho de seus subordinados (gera-se aqui o empowerment).
Capital Estrutural:
" a razão pela qual pessoas inteligentes vem trabalhar na empresa e aqui permanecem"; processo de contenção e retenção do conhecimento existente na empresa. É o conhecimento que pertence à empresa (que não vai para casa quando termina o expediente).
Consta de:
  1. expertise; o arcabouço semipermanente do conhecimento que cresce em torno de uma tarefa, pessoa ou organização
  2. ferramentas que aumentam o arcabouço de conhecimentos, reunindo fatos, dados, informações ou alavancando o conhecimento das pessoas
  3. ligação de pessoas a dados, especialistas e expertise de maneira “just in time“
Reportando ao cliente
Havendo expertise um profissional não se reporta a outro e sim ao cliente (que espera que ele organize e execute sua missão).
Tipos de Conhecimento
1 -  Conhecimento Tácito: é aquele que dominamos automaticamente sem precisar de reflexão
  1. capital humano
  2. capital estrutural (o conjunto dos conhecimentos das pessoas que trabalham na empresa e que pertence a esta)
  3. capital do cliente: é o valor dos relacionamentos de uma empresa com as PESSOAS com as quais a empresa faz negócios.
2 - Conhecimento Explícito é aquele que v. sabe que tem.
Tipos de Capacidades
Toda tarefa, processo ou negócio se baseia em uma das habilidades abaixo:
  1. Habilidades Tipo Commodities: habilidades que não são específicas de um negócio, podem ser prontamente adquiridas e seu valor é mais ou menos o mesmo para todas as empresas. P.Ex. habilidade de digitação, receber bem, etc.
  2. Habilidades Alavancadas: conhecimento que embora não seja específico para uma empresa determinada, é mais valioso para ela do que para outras. Uma empresa de sistemas precisa mais de um Especialista em IT do que uma empresa de alimentos.
  3. Habilidades Proprietárias: são os talentos específicos com que a empresa  constrói seu negócio.
Os profissionais de uma empresa podem estar em uma das classificações abaixo:
  1. difíceis de substituir e tem alto valor agregado (capital intelectual)
  2. difíceis de substituir e baixo valor agregado
  3. fáceis de substituir e alto valor agregado
  4. fáceis de substituir e pouco valor agregado (mão de obra não ou semi especializada)
Se todas as pessoas pudessem capturar o valor de seus serviços, não haveria empresas. As empresas existem quando há um grupo de pessoas que trabalham juntas e criam algo que vale mais do que a soma de seus esforços individuais.
FORMAÇÃO DO CAPITAL  INTELECTUAL
(Gerar valor para a empresa)
  • realiza-se com a reciclagem contínua e utilização criativa do conhecimento e experiência compartilhados
  • requer para tanto a estruturação e acondicionamento das competências
  • suportados pela tecnologia, descrições do processo, manuais, redes, etc..
  • é preciso assegurar a manutenção dos conhecimentos em caso da saída de funcionários
  • objetivos: a) reduzir o tempo de treinamento, b) compartilhamento mais rápido do conhecimento e c) o crescimento sistemático coletivo
O fenômeno atual: Gerenciar em Rede
As redes ligam pessoas a pessoas e pessoas a dados. Ou seja ela elimina hierarquia e permite que o conhecimento e a informação sejam compartilhados just in time.
A supervisão muda o seu conceito: diminui a supervisão no conteúdo do trabalho e cresce no desempenho e administração da carreira como um todo.
Hoje, há uma crise nas grandes empresas em virtude da morosidade com que corre a informação em suas redes. Além disso, há grandes bancos de dados, com milhões de informações, que, todavia, não são utilizadas. Neste momento, as pequenas e médias empresas ganham flexibilidade e ganham em comunicação e controle.
Medindo o Capital Intelectual:
avaliar a simplicidade, o que é estratégico e quais são as atividades que geram riqueza intelectual.
  • valor de mercado/valor contábil
  • medidas do capital do cliente: valor da marca, satisfação do cliente, índice de retenção de clientes
  • medidas de capital estrutural ( vendas vs. Custos, giros do capital, substituição banco de dados)
  • medidas do capital humano ( índices de rotatividade, % vendas dos novos produtos, atitude dos funcionários).
Conclusão
A empresa só atinge seu objetivo maior quando todas as competências que possui estão orientadas para seu cliente, ou seja, todos os seus funcionários estão cientes que todo o trabalho que geram só tem valor se ele tem valor para os clientes.
Fonte: http://www.eigenheer.com.br/candidatos/dic2.html

sábado, 30 de outubro de 2010

RE-DESCOBRINDO MEU POTENCIAL CRIATIVO

RE-DESCOBRINDO MEU POTENCIAL CRIATIVO

Adriana Marques 

O resgate do potencial criativo existente dentro de cada um de nós está intimamente relacionado ao retorno do prazer em nossas vidas. Atualmente muitos falam sobre "qualidade de vida", tema estritamente aliado à necessidade do prazer na construção de uma vida saudável e dinâmica. No entanto, percebemos que cada vez mais este é um tema discutido e pouco aplicado. "Qualidade de vida", para muitos, é algo inatingível e restrito aos poucos que detêm um poder financeiro mais elevado. Isso será mesmo verdade? Então, estaria a criatividade restrita a classe alta?

O que significa "Criatividade"? Segundo Alexander Lowen, pai da Bioenergética, criatividade é: "...olhar o mundo com uma visão nova. Não tentar resolver novos problemas através de antigas soluções, abordando a vida com os olhos curiosos e abertos e com a imaginação de uma criança."(in Prazer - Uma abordagem Criativa da Vida, p. 208). Será a criatividade restrita àqueles que têm acesso à cultura? Serão estas pessoas as únicas capazes de intervir em suas vidas de um modo mais flexível? Se atentarmos para o modo de vida de muitas pessoas de classes sociais distintas, perceberemos que a flexibilidade de agir e perceber o mundo não é algo restrito a classe social. Criatividade é expressão de flexibilidade e de um agir também mais livre, no sentido de estar em maior conexão com aquilo que desejo, o que a realidade me permite e aquilo que posso realizar.

Um viver criativo exprime capacidade de atuar de modo dinâmico, sem se ater a padrões antigos, mas também respeitando limites internos e externos. E o prazer, onde se encontra em toda esta grande equação da vida? Sim, o prazer é o motor gerador de toda energia necessária a um viver criativo. Prazer no sentido de saborear de forma sadia a vida. Não me refiro aqui ao prazer pelo prazer, ao prazer vazio que busca preencher simplesmente um enorme "vazio". Não me refiro à ÉTICA do divertimento pelo divertimento, da busca pela felicidade através do "Ter que se divertir e sentir prazer em tudo". Refiro-me ao prazer espontâneo, à entrega ao sentimento verdadeiro e não a algo fabricado. Deste prazer real, que pode ser o prazer de levantar-se e olhar o nascer do sol, de perceber-se vivo e respirando, etc... que deriva a verdadeira possibilidade de ser criativo e viver criativamente.

Acredito que o potencial de criatividade existe dentro de todos nós. Entretanto, durante nossa história de vida, que construímos a cada dia, aprendemos formas estereotipadas de viver e de reagir a estímulos. Estas formas repetitivas surgem na medida em que há pouca percepção da nossa real necessidade e, dentro desta, o que podemos produzir no meio ambiente em que vivemos. Portanto, a consciência é consciência de si e do meio externo e de como construir a partir destas.

A criatividade é essencial a nossa sobrevivência ,e mais: a nossa sobrevivência enquanto seres saudáveis e integrados. O prazer, a consciência de si mesmo e do mundo que nos cerca, são essenciais à vivência da criatividade assimilada ao dia-a-dia. O processo de grupo facilita a conscientização de si mesmo e da capacidade para desenvolver o potencial criativo. A re-descoberta daquilo que sou capaz de criar é o re-descobrimento daquilo que sou capaz de me tornar. A transformação que advém desta consciência é a modificação assumida daquilo que vivenciamos e nos toca a cada dia. Podemos optar por mudar ao "sabor do vento" ou a partir da consciência de onde estamos, para onde podemos ir e onde desejamos chegar em nossas vidas. 

Dicas para melhorar seu dia de trabalho


Dicas para melhorar seu dia de trabalho

O trabalho costuma ser o principal foco do estresse, mas existem algumas medidas que podem ser tomadas na tentativa de impedir que as oito horas diárias (ou mais) de labuta transformem-se no sacro-ofício.

Nas palavras da autora Stephanie Goddar Davidson: "Técnicas simples e sugestões capazes de fazer você relaxar, esfriar a cabeça, resolver conflitos e tornar seu ambiente profissional mais agradável".

1. Respire
Tome consciência da sua respiração o dia inteiro. Quando perceber que se esqueceu disso, faça três respirações lentas, profundas, suaves e retome o trabalho.

2. Mude de ares
Gaste alguns minutos para ir a um andar diferente, a outro banheiro ou a um lugar a que você raramente vá. Se possível, passe algum tempo aí para se acalmar, respirar ou apenas ficar em silêncio.

3. Renove-se
O ser humano está sempre se renovando. Dorme para se recuperar; come para ter mais energia, perde células todos os dias para dar espaço às novas.

Siga o exemplo do seu corpo e renove seu trabalho hoje. Jogue fora o que é desnecessário, tente terminar o serviço de um modo inteiramente diferente. Pense em algo que você gostaria de participar e arrume um jeito de realizar isso.

4. Beba água
Beba pelo menos dois copos de água de manhã e de tarde, principalmente se você trabalha em um lugar com ar condicionado. Você vai perceber que terá menos vontade de comer doces, de fumar ou de roer unhas. E certamente terá muito mais energia.

5. Procure o equilíbrio
Compare essas prioridades com o que você faz atualmente. Em qual atividade você gasta mais tempo? E mais tempo? Corresponde ao que você considera prioritário?

Esse é o primeiro passo para encontrar o equilíbrio na vida. Você precisa optar. Veja como conciliar a situação real e a ideal.

6. Seja compreensivo
Da próxima vez que você ouvir um comentário ou uma crítica sobre sue trabalho, leve em conta estes pontos:

Não é fácil dizer a uma pessoa o que você achou do trabalho dela. Quem faz um comentário ou uma crítica está mais tenso do que quem ouve.

Se ninguém comentasse nada, não saberíamos em que mudar. As críticas são uma oportunidade de crescimento.

Lembre-se das críticas que já fizeram a seu respeito e reconheça que tiveram valor. Tente perceber em que pontos você e a pessoa que fez o comentário ou a crítica concordam. As pessoas não fazer críticas por maldade ou só para julgar. Fazem isso porque se importam com você. Se não se importassem, deixariam você continuar errando.

7. Respeite o fundamental
Não despreze suas necessidades básicas. Coma bem, beba muita água, faça exercícios, respire ar fresco, descanse, durma cedo.

Não deixe o trabalho determinar essas coisas. Garanta espaço para suas necessidades essenciais mesmo no cronograma mais apertado.

8. Reorganize-se
Você consegue reorganizar o seu espaço no escritório? Às vezes, apenas mudar as pastas de lugar, arrastar a mesa para o outro lado ou mudar a disposição dos quadros pode fazer uma grande diferença.

Que tal trazer quadros, objetos de arte, lembranças, óleos aromáticos e até música? Se nada disso for permitido, veja o que é possível fazer para dar sua cara ao local de trabalho, mesmo que precise deixar seus objetos pessoais escondidos numa gaveta.

9. Deixe as farpas de lado
Da próxima vez que você estiver irritado respondendo a um e-mail ou outro tipo de correspondência, largue tudo e dê uma volta.

Jogue água fria no rosto, tome um suco, respire fundo algumas vezes. Depois, volte e releia o que você escreveu. Tire as farpas e as palavras duras. Só então envie a resposta.

Fonte: 101 Maneiras de ter um ótimo dia no trabalho, de Stephanie Goddar Davidson, editora Publifolha

Fazendo o que gosta 
   
Você pelo menos faz o que realmente gosta? Está na profissão por livre escolha ou porque seus pais a idealizaram para você. Escolheu a profissão porque viu alguém bem sucedido financeiramente atuando nela? Ou escolheu sua profissão porque leu matérias em jornais ou viu reportagens na TV que são profissões altamente remuneradas e muito procuradas no mercado?
Não vamos aqui dissertar sobre a história e a evolução do trabalho em nosso meio e nem filosofar sobre a sua necessidade e importância para a realização do homem, enquanto ser humano. Nem mesmo se seria, de fato, necessário e obrigatório trabalhar, para podermos sobreviver com dignidade, a exemplo de como é hoje. Ou você trabalha ou você não sobrevive: é o lema na sociedade dita civilizada e moderna a que estamos vinculados.
Vamos nos ater a esta última frase. Temos que trabalhar e fim de assunto. Mas não vamos fazer desta afirmação um castigo, um martírio ou algo muito desagradável, como é para muitos. Dizem até que o trabalho, no início do mundo, na época em que viviam Adão e Eva - para os que acreditam no princípio bíblico, foi logo colocado como um castigo.
Segundo essa versão, Adão e Eva foram expulsos do paraíso, ou seja, da vida boa que levavam, porque desobedeceram a Deus e comeram da fruta proibida - que as crianças conhecem por maçã, e que Deus, ao consumar a expulsão, teria dito a eles que, doravante, por terem cometido pecado, teriam de obter o próprio sustento e sobrevivência com o "suor" do próprio rosto, do próprio sacrifício, numa alusão de que trabalho seria um martírio, um castigo ou fardo pesado para se carregar.
Castigo ou não, martírio ou não, um fardo pesado ou não, não importa. Temos que trabalhar.
Então, vamos simplificar tudo isto e sermos bastante diretos. Pelo menos estou trabalhando no que gosto? Isso mesmo! Faça essa pergunta a si próprio e responda-a com toda a sua assertividade.
Lembre-se que 1/3 de sua existência ativa é destinado ao seu ganha pão. E olhe que não é 1/3 qualquer de sua existência. Estamos falando de toda uma fase de maior produtividade, consciência e de energia que você dispõe ao longo de sua existência.

E fazer disto um martírio, um sacrifício ou fardo amargo e pesado para você carregar não nos parece ser uma postura inteligente e saudável que você deve adotar para conseguir o seu próprio sustento e garantir a sua sobrevivência de forma digna, mais parecendo um "karma" ou um processo de auto-imolação.
O trabalho tem que lhe proporcionar prazer, bem estar, satisfação pessoal, orgulho, realização e muitas outras recompensas e gratificações. Para você! Não para seus pais - que o "incentivaram" a escolher a profissão na qual você hoje atua e da qual sobrevive.
Atuando ou fazendo exatamente o que gosta, além do prazer intrínseco que você encontrará em seu dia-a-dia, esteja certo de que em uma eventual necessidade de colocação ou recolocação profissional suas chances ficam aumentadas na disputa pela vaga disponível.
Se você é um profissional que faz o que gosta, em todas as etapas de um processo de recolocação profissional sua motivação, determinação, objetividade e segurança serão outras. Quem faz o que gosta convence mais. Um bom entrevistador geralmente está preparado para estabelecer as diferenças de comportamento e de posicionamento de um ou outro candidato, pode ter certeza. Este aspecto bem resolvido poderá se transformar em uma excelente arma e vantagem para você - ou uma desvantagem, se mal resolvido.
Além do mais, quem realmente faz o que gosta, transpira esta sensação para todos na empresa, pois sempre busca realizar suas tarefas com perfeição, dedicação, seriedade e qualidade desejada e esperada por parte de seus superiores. Os próprios colegas de profissão reconhecem o talento nato em você, te admiram e te copiam em muitas situações. Até torcem por você e por seu sucesso.
É gratificante termos amigos bem felizes e bem sucedidos na vida com o que fazem, principalmente quando isto ocorre em razão de seus próprios méritos. Amigos que galgam posições na vida e encontram o sucesso sem nunca precisarem pisar em seus semelhantes. Suas luzes brilham, sem que tenham que apagar as luzes vizinhas. Além da gratificação intrínseca em si, se um dia precisar deles, certamente poderão estar em uma situação mais confortável que a sua e prestar-lhe eventual ajuda.
Em momentos de decisão de uma lista de corte, pode ter certeza que este aspecto naturalmente será levado em consideração por parte de quem tem a prerrogativa da tomada de decisão de incluí-lo ou não na lista, salvo processos pouco profissionais, onde o que importa é a preservação dos apadrinhados, mesmo que menos qualificados que você e até mesmo medíocres ou que não gostam do que fazem.
Todas as profissões têm o seu lado do prazer, que é bem maior, é claro, principalmente para quem faz o que gosta, mas também impõem sacrifícios, dificuldades, aborrecimentos de toda a ordem.
Nem sempre a profissão que te dá mais prazer é aquela que o mercado esteja pagando a melhor remuneração e oferecendo as melhores condições de trabalho. Nem por isso você deve desistir dela, necessariamente. Se o dinheiro falasse mais alto, que prazer teriam as pessoas que passam a vida se dedicando a trabalhos voluntários pelo mundo afora, em condições de risco, sujeitos a doenças e a tantas outras dificuldades. Reflita sobre isto.
Lembre-se, uma profissão é para ser exercida por dezenas de anos. Se concluir que fez a escolha errada, não titubeie em mudar de rumo. Você ainda poderá ter muito tempo pela frente para ser um profissional feliz e realizado. Basta querer e agir, com coragem, determinação, responsabilidade e bom senso. Como diria meu amigo, Cleo Carneiro: hoje ainda é só o primeiro dia do resto de sua vida.
Para minimizar erros de escolha, se possível, busque ajuda profissional de aconselhamento. Em qualquer situação, feita a escolha, antes de iniciar os estudos, estabeleça francos, próximos e contínuos contatos com profissionais que já atuam nela, preferencialmente no próprio ambiente de trabalho deles, para ver, sentir, conhecer e analisar como eles estão vendo a profissão do ponto de vista das perspectivas futuras.
Converse sobre seus planos, seus desejos, seus sonhos. Mostre seu perfil. Pergunte das dificuldades e os aborrecimentos que a profissão impõe para eles. Claro, pergunte também do lado que dá mais prazer. Discuta com eles suas possibilidades na profissão, em função de seu perfil, potencial e objetivos de vida.
Só um conselho: fique atento se o profissional entrevistado realmente gosta do que está fazendo, principalmente se começar a desqualificar a profissão escolhida para você. Também não desqualifique nenhuma informação, mesmo as vindas de profissionais frustrados e infelizes com a escolha da profissão, pois também podem ser muito úteis para você e ajuda-las na escolha do melhor caminho a seguir.
 
     
Autoria:  Paulo Pereira, Diretor da Eventos RH
(*) Autor do livro Profissionais & Empresas - Os Dois Lados de Uma Mesma Moeda no Mercado de
    Trabalho, Editora Nobel.